Segunda-feira, 7 de Março de 2022
O Papa enviou dois cardeais para a Ucrânia “para servir o povo, para ajudar”. Os responsáveis escolhidos foram o cardeal Konrad Krajewski [à direita, na foto], esmoler pontifício, “para levar ajuda aos mais necessitados”, e o cardeal Michael Czerny [à frente, na foto], prefeito interino do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé).

“Esta presença de dois cardeais, lá, é a presença não só do Papa mas de todo o povo cristão, que se quer aproximar e dizer: a guerra é uma loucura, parai por favor! Olhai para esta crueldade”, referiu o Papa na sua intervenção no Angelus, citado pela Ecclesia.

O Papa condenou a guerra na Ucrânia, falando de “rios de sangue e de lágrimas”, numa intervenção em que contrariou o discurso oficial da Rússia, que fala em “operação militar especial”. “Não se trata apenas de uma operação militar, mas de guerra, que semeia morte, destruição e miséria”, denunciou, desde a janela do apartamento pontifício, no Vaticano.

Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a recitação do ângelus, Francisco afirmou que, “as vítimas são cada vez mais numerosas, bem como as pessoas em fuga, especialmente mães e crianças”. “Sobretudo, imploro que cessem os ataques armados e prevaleça a negociação, que prevaleça o bom senso, e se volte a respeitar o direito internacional”, apelou.

O Papa anunciou que a Santa Sé está disposta a “fazer de tudo” para mediar o conflito e “colocar-se ao serviço desta paz” e renovou o seu “sentido apelo” para que se “assegurem realmente corredores humanitários”.

O Papa espera que “seja garantido e facilitado o acesso das ajudas às zonas sob assédio, para oferecer socorro vital a irmãos e irmãs oprimidos pelas bombas e pelo medo”. “Nesse país martirizado cresce dramaticamente, de hora em hora, a necessidade de assistência humanitária”, acrescentou.

Na mesma oração, Francisco agradeceu a todos os que estão a acolher os refugiados e deixou uma palavra especial aos profissionais da comunicação social que se encontram no cenário de guerra. “Gostaria de agradecer aos jornalistas, que para garantir a informação, colocam em risco a própria vida. Obrigado, irmãos e irmãs, por este vosso serviço”, disse, numa intervenção sublinhada pela multidão com uma salva de palmas.

“Um serviço que nos permite estar próximos do drama daquelas populações e perceber a crueldade de uma guerra. Obrigado, irmãos e irmãs”, prosseguiu. Há dias, uma equipa de jornalistas da Sky News, de Inglaterra, caiu numa emboscada na Ucrânia e um dos jornalistas foi atingido.
[7Margens]