A história da Igreja em América Latina é rica de tesouros, intuições e inspirações

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Terça-feira, 5 de outubro de 2021
Entre muitas sombras, contradições e pecados, deixemo-nos conduzir pela luz que brilhou nos momentos mais fortes das Conferências de Medellin, Puebla, Santo Domingos e Aparecida! Antes desta primavera do Espírito, era difícil pensar numa “Igreja em saída”. [
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Ao contrário, a Igreja era considerada “sociedade perfeita”, na qual era necessário integrar o maior número de membros, purificando-os do “mundo” lá fora (ainda tem grupos que pensam assim, não é?).

Os fieis leigos e leigas eram considerados o “braço do clero”, devendo escuta e obediência à hierarquia. Raramente havia um movimento inverso. Profundamente questionada pela pobreza em todos os países latino-americanos e pela violência das ditaduras, a Igreja começou a percorrer, desde 1968, em Medellin, novos caminhos. Marcados pelo martírio, habitados pelos pobres, os preferidos de Deus, e orientados pelos sinais dos tempos, manifestação de Deus na história.

Consolidaram-se opções mais claras pela ministerialidade, o protagonismo de leigos-as e das juventudes, e por uma Igreja de pequenas comunidades de base, as CEBs. Valorizou-se a inculturação, a fé celebrada e vivida a partir das diferenças culturais, o diálogo entre as culturas. Papa Francisco insiste que ainda não conseguimos descobrir e incarnar toda a riqueza contida na última Conferência dos Bispos de América Latina e Caribe, em Aparecida (2007). Quando propuseram a ele a convocação de uma nova Conferência, já que se passaram 14 anos e muito precisa ser atualizado, o Papa aumentou o desafio: se mantenha Aparecida como farol e inspiração, mas demos, agora, um passo novo; não mais uma assembleia só de bispos: quero uma Assembleia Eclesial, da Igreja toda!

É o desafio da sinodalidade, do caminhar juntos-as. Um caminho de corresponsabilidade, de todo o Povo de Deus na construção de seu Reino. A Assembleia Eclesial de América Latina e Caribe já começou. No continente inteiro estão circulando materiais de estudo e propostas de debate e reflexão. No final de agosto, encerrou-se a fase de escuta das comunidades e do Povo de Deus. Nos meses seguintes, na etapa do discernimento, todo o rico material recolhido será fruto de discernimento, meditação e síntese, a ser apresentada em novembro, quando a Assembleia terá seu encerramento simbólico no Santuário de Guadalupe, no México, aos pés da padroeira da América Latina.

Desta vez não estarão só bispos, mas também religiosas-os, leigas-os. Busca-se uma metodologia representativa, inclusiva e participativa. O caminho da Assembleia é marcado pelas três etapas do ver-julgar e agir: a vida de nossos povos; a iluminação de Jesus Cristo para nossos povos; a conversão pessoal, comunitária e social.

Não faltam limites e dificuldades, porque esta Assembleia chega em plena pandemia, com o risco de sacrificar ou reduzir o processo de escuta e real participação do povo. Mas a porta da sinodalidade e do protagonismo de leigas e leigos na Igreja está definitivamente aberta, mesmo se ainda é porta estreita. Cabe a nós acreditar neste caminho e entrar com decisão, percorrendo novos passos de profecia e compromisso, fieis ao Espírito que conduz os cristãos e cristãs em América Latina!
Dário Bossi, comboniano em SP

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